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Conheça o Cérebro

Entenda a estrutura do Cérebro Humano, suas funções e como você pode usá-lo para melhorar seus resultados nas diferentes áreas da vida

Exemplo de imagem
O cérebro humano pesa cerca de 1,4kg (2% do volume total do corpo), mas consome cerca de 25% da energia assimilada pela alimentação. É composto de quase 100 bilhões de neurônios (86 bilhões, de acordo com as pesquisas da Dra. Susana Herculano), capazes de estabelecer de 1 a 100 mil conexões. 

O cérebro opera num sistema de rede integrada com inúmeras regiões se comunicando dinamicamente e organizadamente com outras regiões, promovendo, de forma complexa, nossa ilimitada capacidade para agir no ambiente, com potencial de observar e manipular átomos, observar galáxias situadas a milhares de anos-luz de distância, além de construir improváveis estruturas arquitetônicas, etc. 

De antemão, considero importante desmistificar que o cérebro não opera com apenas 10% de sua capacidade, conforme é difundido entre os leigos. Utilizamos 100% de nossos neurônios a todo o momento, até dormindo. Se um neurônio deixa de funcionar, ele é eliminado do circuito neural. 

O neurônio é composto por “soma” (o corpo da célula nervosa), dendritos (os prolongamentos que recebem os impulsos nervosos de outros neurônios) e os axônios (prolongamentos que enviam impulsos nervosos a outras células), podendo, estes, ser compostos por bainha de mielina, uma estrutura celular capaz de acelerar a transmissão dos impulsos nervosos. 

Ao entrar em contato com outro neurônio, são estabelecidas as sinapses (termo que, em grego, significa “junção”), os pontos de contato com os neurônios adjacentes. Os neurônios que se comunicam não se tocam (em geral, mas há exceções: as sinapses elétricas), portanto, para enviar mensagem há liberação de moléculas transmissoras de informação, denominadas neurotransmissores. 

Os neurotransmissores são de diversos tipos (descritos funcionalmente com mais detalhes posteriormente), como serotonina, dopamina, noradrenalina ou ocitocina, para citar alguns, que têm a função de inibir ou excitar os neurônios subsequentes, basicamente. 

Para introduzir o funcionamento do cérebro, considero didático apresentar a Teoria do Cérebro Trino (ou triuno ou triádico). De acordo com o pesquisador Paul McLean (década de 50), o cérebro evoluiu em camadas que se sobrepõem à medida que as espécies animais ampliam sua complexidade comportamental. 

Nesta teoria, a parte mais “evoluída” (termo controverso, dentre os especialistas) trata-se do neocórtex (neo=novo, córtex=casca, em latim: a nova casca), região que compartilhamos com os primatas, permitindo o raciocínio em termos de resolução prática de problemas. 

A porção intermediária, denominada sistema límbico, compartilhada com os mamíferos inferiores, é a responsável por agregar emoções e memória às espécies animais. 

A porção mais primitiva, o tronco encefálico, ou cérebro reptiliano, pois compartilhamos essa região com os répteis, de acordo com este autor, é responsável pelos mecanismos de sobrevivência, tais como funções fisiológicas básicas (circulação sanguínea, respiração, digestão, etc.), bem como os comportamentos pré-programados da espécie destinados à sobrevivência, como alimentação, reprodução, luta e fuga.

Os núcleos da base são estruturas cerebrais bastante associadas à programação de sequencias complexas de movimento, internalizando ações frequentes, como o ato de dirigir ou andar de bicicleta. Os núcleos da base tendem a assimilar e automatizar os comportamentos mais frequentes como estratégia de poupar esforço, prevenindo o cérebro do gasto energético de tomar decisão deliberadamente quando se trata de ações que se repetem diariamente ou com muita frequência. 

Desse modo, são estabelecidas novas conexões nervosas que disparam uma sequência de movimentos quando as áreas da percepção do cérebro reconhecem o contexto espacial e temporal nos quais o sujeito se acostumou a se comportar de maneira específica (condicionamento). 

Sendo assim, as conexões nervosas que subjazem comportamentos habituais antigos dos quais o sujeito não mais se beneficia e que já foram suplantados por novos e saudáveis comportamentos (tendo sido, portanto, formadas novas conexões nervosas) não se desfazem e coexistem com as novas conexões. 

Isto ocorre dada a alta frequência com que foram utilizadas ao longo da vida do indivíduo, tendo sido estabelecidas firmemente nos núcleos da base e tendem a permanecer “à espreita” do momento oportuno para assumir novamente a função de emitir os comportamentos habituais antigos e indesejáveis.

No que tange o sistema límbico, importante destacar duas estruturas que influenciam sobremaneira nosso comportamento cotidiano: as amígdalas cerebrais (não confundir com as tonsilas, as amígdalas da garganta) e os núcleos acumbentes. 

As amígdalas são as estruturas cerebrais evoluídas para nos proteger, portanto, voltadas para a detecção de ameaça no ambiente. Elas recebem informações de todos os sentidos e avaliam seu grau de periculosidade. Em termos gerais, são as estruturas cerebrais do medo e da raiva, ativando estes sentimentos e reações diante da mínima ou imaginária detecção de ameaça. 

Foram excelentes pra nos proteger, mas podem limitar nossa interação com os outros e o aproveitamento de oportunidades. 

A segunda região, os núcleos acumbentes, são a área cerebral do prazer, que se ativam diante da mínima ou imaginária percepção de algo prazeroso no ambiente (alimento, sexo, objetos de consumo, etc.). Também evoluíram para nos fazer bem, mas podem nos tornar excessivamente apegados aos estímulos potencialmente prazerosos. 
 
Em relação ao neocórtex, nosso cérebro é dividido em 4 grandes áreas: os chamados lobos occipitais, parietais, temporais e frontais. Dedicaremos-nos com especial ênfase aos lobos frontais um pouco mais adiante, mas descreverei brevemente as funções desses lobos nesse ponto. 

Os lobos occipitais, localizados na porção mais posterior do córtex, processa unicamente a visão. 

Os lobos temporais, localizados lateralmente (seria o “dedão” da luva de boxe, fazendo uma analogia), processam audição, compreensão da linguagem falada, reconhecimento facial, processa cores e o formato dos objetos. 

Os lobos parietais processam o tato, noção de movimento em relação à visão, cálculo, leitura. Importante enfatizar que tais estruturas realizam muito mais funções que as descritas aqui, mas optei por não ser exaustivo na respectiva descrição. 

Considerando, agora, a função dos hemisférios cerebrais, é muito difundida a informação que o hemisfério esquerdo é racional e o hemisfério direito é emocional. 

Não é bem assim. 

Na verdade, tanto a faculdade da “razão”, isto é, capacidade para refletir objetivamente sobre os desafios do cotidiano, e a “emoção”, ou seja, o conjunto de reações orgânicas que surgem diante dos estímulos relevantes do ambiente, são processados por ambos os hemisférios, além das porções mais primitivas do cérebro, como o tronco encefálico, especialmente, no caso das emoções. 

Mas, de fato, de acordo com experimentos realizados com pacientes que tiveram seu corpo caloso seccionado, ou melhor, que sofreram um corte em toda a extensão do conjunto de fibras que interligam os dois hemisférios, foi demonstrada a diferença no tipo de informação que cada hemisfério processa. 

Neste contexto, foi observado que o hemisfério direito se incumbe de atividades como processos criativos e intuitivos, funções visuoespaciais, processa a musica de pessoas não treinadas formalmente em teoria musical (ouvem com o sentimento), processa os aspectos emocionais da fala (tom de voz), realiza um processamento holístico dos estímulos percebidos (o “todo”), participa mais de atividades imaginativas, além de apresentar uma consciência mais concreta, corporal. 

O hemisfério esquerdo, de maneira oposta, se incumbe dos processos lógicos e racionais, se ocupa de funções verbais, processando os aspectos semânticos e gramaticais sintáticos da linguagem, está apto a realizar operações com códigos, processa a musica de pessoas versadas em musica (lê partitura, reconhece a relação entre notas musicais, etc.), realiza um processamento mais serial do pensamento, além de atividades cognitivas analíticas e nos confere uma consciência abstrata, simbólica.

Por fim, os lobos frontais, conforme exemplificado pelo caso Phineas Gage, no qual um operário teve a parte do meio do córtex frontal atravessada por uma barra de ferro, levando-o a apresentar um comportamento bem diferente do que antes do acidente. Gage não perdeu sensação, percepção, linguagem, movimentos, inteligência racional, mas teve uma profunda mudança na eficácia da tomada de decisão e na regulação do próprio comportamento, se tornando hostil, displicente, impulsivo, com atitudes impróprias para o convívio social, com prejuízos conjugais, profissionais, financeiros e relacionais, apesar de ter sido considerado responsável, um grande trabalhador, um bom amigo e um bom marido antes do acidente. 

Phineas Gage, portanto, perdeu as propriedades funcionais de seu córtex frontal, associadas à moralidade, ética, comportamento social, tais como autorregulação das emoções, automonitoramento do próprio comportamento, planejamento de ações em relação aos objetivos, flexibilidade no modo de pensar e de agir, controle inibitório dos impulsos e desejos, além de disciplina, perseveração. 
 
Em resumo, podemos dizer que a evolução nos trouxe quatro condições de existência no planeta Terra, no que se refere ao funcionamento cerebral: 

- Uma região voltada para a sobrevivência, instintos (comportamentos pré programados da espécie, como lutar, fugir, comer e se reproduzir): o tronco encefálico e núcleos da base; 

- Uma região que também trata de sobrevivência, mas de modo mais sofiscado, trazendo mais versatilidade ao comportamento, adicionando emoção e memória aos instintos: o sistema límbico; 

- Uma região voltada para a vivência, para a exploração do ambiente ao redor, analisando e intuindo consequências a partir do que se percebe do meio: os hemisférios cerebrais, direito e esquerdo; 

- Por fim, uma região que possibilita a sobrevivência, antever o futuro com base na análise da situação e resultados passados, planejar e executar ações para atingir objetivos, flexibilidade atitudinal, etc.: os lobos frontais. 
 
Cuide do seu cérebro. Ele é seu principal instrumento de interação com o mundo, porém frágil e acomodado. Cabe a você condicioná-lo da melhor maneira a seu favor, na busca por melhorar resultados nas diversas áreas da vida. Ele aprende. Basta interesse, persistência e um bom plano de ação. 

Continue me acompanhando e irá descobrir novas e saudáveis maneiras de aprimorar seu comportamento, seu cérebro! 
 
Grande abraço, 
 
Dr. Tauily Taunay
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